Falta examinar alternativas a Belo Monte

xingu 03.jpgA usina de Belo Monte, que aproveitará um desnível de quase 90 metros na chamada volta do Rio Xingu, é um projeto mal compreendido. Por se situar na Amazônia, em região com sérios problemas sociais e ocupação econômica geralmente sem preocupação ambiental, a hidrelétrica é alvo de críticas, muitas vezes exorbitantes e infundadas, como as que a classificam como um desastre ecológico.

Conciliar desenvolvimento e preservação do ambiente é um desafio que o setor elétrico tem enfrentado com êxito no Brasil, nas duas últimas décadas. No lugar de imensas áreas inundadas, as usinas vêm sendo construídas a fio d'água, aproveitando praticamente a vazão natural dos rios. Sem reservatórios (a não ser aqueles indispensáveis, decorrentes da construção de barragens), a expansão do setor elétrico passou a ser mais dependente do regime de chuvas, o que, por sua vez, exige uma complementaridade de termelétricas (com energia gerada quase sempre pela queima de combustíveis fósseis e que aumentam a emissão
de gases que contribuem para o chamado efeito estufa).

Mas este é o preço a pagar para que se consiga continuar a construir hidrelétricas, aproveitando-se o ainda significativo potencial existente no país.

Cada hidrelétrica construída nessas condições, com o menor impacto possível sobre o meio ambiente, ajuda a limpar a matriz energética brasileira e representa uma contribuição no esforço mundial para se conter o aquecimento global.

Embora tão criticado, o projeto de Belo Monte contempla essa experiência acumulada. Várias modificações foram feitas no projeto original e o resultado é que a usina terá uma das mais baixas taxas de área inundável por quilowatt gerado. Como compensação, o consórcio responsável pelo investimento terá de destinar R$ 3,3 bilhões para iniciativas sociais e ambientais, um valor que a região jamais sonhou. Cidades próximas contarão com sistemas de saneamento básico e muitas famílias deixarão de viver em lugares insalubres. Melhorias de infraestrutura, reflorestamento e estímulos a atividades econômicas autossustentáveis estão previstos. Ou seja, uma região hoje degradada terá com Belo Monte a oportunidade de se recuperar.

Especificamente no segmento de energia, Belo Monte terá papel fundamental. Será a hidrelétrica de maior potencial do país (mais de 11 mil megawatts) e, em termos médios, adicionará o correspondente a três usinas nucleares do tamanho de Angra 2. No período de maior vazão do Rio Xingu, Belo Monte permitirá que as hidrelétricas do Nordeste (cujo subsistema se interliga ao do Norte) poupem seus reservatórios, propiciando melhor aproveitamento ao longo do ano.

Pergunta-se aos críticos extremados de Belo Monte que alternativa eles propõem. Não aumentar a capacidade de geração de energia hidráulica, uma fonte renovável, no país? Ampliar a fatia das termelétricas, mais caras e também mais poluentes? Sem respostas a essas perguntas, a discussão é simplesmente estéril. (O Globo, 03/02)

 

home features revista

REVISTA CIER

Confira todas edições da Revista CIER
"Sem fronteiras para a energia"
 Agenda

AGENDA ENERGÉTICA

Desafios e oportunidades na América
Latina e no Caribe
 

 

Strategy

SÍNTESE INFORMATIVA

Informações do setor energético
no Brasil e na América Latina
 Strategy

NOTÍCIAS

Acompanhe as últimas notícias 
do setor energético
 

 

Ideas

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Leia as edições anteriores