Rachaduras param turbina de Itaipu

itaipu_05.jpgUma unidade geradora de Itaipu Binacional, a de número 6, está parada porque apresentou trincas em sua estrutura. O problema preocupa técnicos e consultores da usina hidrelétrica e do grupo Voith, que estudam uma solução para o problema. Durante manutenção, iniciada em 22 de setembro, foram verificadas trincas de 50 centímetros numa das pás (rotor de turbina) e de 30 centímetros no anel de desgaste, peças feitas de aço. A máquina, que deveria ter voltado a operar no dia 8, tem 23 anos e a solução do problema pode demorar de quatro a seis meses. Itaipu possui 20 unidades e sempre deixa duas de reserva. Agora, está com uma. As manutenções seguem programação anual e quadrianual, dependendo de cada peça. O diretor técnico executivo, Antonio Otélo Cardoso, explicou que acionou o seguro, passou informações sobre o caso para o consultor da hidrelétrica, John Gummer, que vive na Austrália, e também para a fabricante Voith. Segundo ele, Gummer teria dito que se trata de "um defeito pontual". O consultor já tinha agendado visita ao Brasil para novembro, para falar sobre segurança em barragens. O diagnóstico da Voith está sendo aguardado. Procurada pelo Valor, a empresa não falou sobre o assunto. Esse tipo de conserto nunca foi feito antes. "Numa das alternativas, que talvez seja a que vai vingar, precisaria desmontá-la inteira", disse Cardoso. Uma das trincas está em local de difícil acesso. Em 2005, a Voith teve de refazer uma peça chamada cruzeta inferior, da 19ª unidade, que nunca havia funcionado, porque ela teve uma fissura detectada por técnicos da hidrelétrica. A máquina 6 começou a operar em 1987. Ela passava por manutenção quadrianual quando as trincas apareceram. Cardoso afirma que o problema não vai afetar a produção de Itaipu, que em 2010 deve registrar uma de suas menores produções de energia da década. "A geração deve ser baixa, de 82 milhões a 84 milhões de megawatts-hora (MWh)", adiantou o diretor. Bem abaixo do recorde de 94.684.781 MWh registrado em 2008. "Nós fornecemos o que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) nos pede. Água e máquina nós temos", defende-se. A redução na produção no começo do ano deveu-se a manutenção nas linhas de transmissão de Furnas, após o apagão de novembro de 2009, que atingiu 18 Estados. Itaipu chegou a verter água que não estava sendo usada na geração de energia de novembro e maio. Hoje seu reservatório está cheio, com 220 metros acima do nível do mar. A produção também é reduzida quando há mau tempo. Há dez dias, três torres de transmissão caíram no Paraná devido a fortes ventos e derrubaram a transmissão de energia entre Foz do Iguaçu, onde fica a usina, e Ivaiporã, que liga Itaipu às regiões Sul e Sudeste. "Vejo a questão da máquina 6 com certa naturalidade", comentou o diretor geral brasileiro interino, João Bonifácio Cabral Júnior, que é diretor jurídico de Itaipu e cobre férias do titular Jorge Samek. De acordo com ele, com o tempo de uso podem surgir problemas. O fato é que Itaipu começou a produzir em 1985 e as unidades não são mais novas. "O processo está na fase de análise técnica. Em anos anteriores a hidrelétrica chegou a operar sem unidades de reserva", completou. (Valor Econômico, 19/10)

 

 

 

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