EUA e China se confrontam na área de energia

eolica_03.jpgEmbora os chineses estejam na dianteira, pressionados pela demanda em expansão por eletricidade e pela necessidade de reduzir emissões de gases poluentes, o governo americano pretende incentivar essa área principalmente por sua capacidade de geração de empregos locais. Nessa competição, os dois países dirigem ameaças de uma disputa emblemática na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os subsídios concedidos ao setor.

Em meados de janeiro, o Departamento de Comércio americano deve concluir uma investigação sobre subsídios e outros incentivos contrários às regras da OMC supostamente concedidos pela China aos seus exportadores de produtos vinculados à geração de energia eólica e solar, de baterias avançadas e de veículos elétricos. A China lidera a produção mundial em todos esses itens e, da mesma forma como os EUA, também prepara uma ação na OMC contra a política americana para o setor.

Em outubro, quando a investigação do Departamento de Comércio foi aberta, a taxa de desemprego nos EUA continuava em 9,6%. Na ocasião, o secretário de Comércio, Ron Kirk, assinalou que esse é um setor vital para os EUA. "A tecnologia verde será o motor gerador de empregos no futuro. Este governo está comprometido em assegurar o campo de ação de trabalhadores americanos, de negócios e de empreendedores nessa área."

Em um recente estudo comparativo, Richard Campbell, especialista em Política Energética do Serviço de Pesquisa do Congresso americano, mostrou que a China tem hoje capacidade de gerar, anualmente, 5.000 mega-watts de energia eólica e 300 megawatts de energia solar. No seu plano estratégico, esses potenciais deverão se elevar para 30 mil e 1.800 megawatts, respectivamente, até 2020. Trata-se de uma capacidade adicional equivalente a um terço da geração brasileira em 2009.

Nos planos do Departamento de Energia dos EUA, a capacidade de geração de energia eólica deve saltar de 9.922 megawatts, em 2009, para 61 mil megawatts em 2030. A energia solar foi fonte de 8.775 megawatts gerados em 2008 no país, dos quais 800 megawatts por meio de painéis fotovoltaicos. O setor é visto nos EUA como a mais nova fronteira tecnológica, ao lado da informatica, e fonte de novas indústrias e serviços. Em repetidos discursos, o presidente americano, Barack Obama, mencionou a capacidade de esse segmento gerar empregos que dificilmente serão exportados - em especial, à China - no futuro.

Atraso. Na corrida para impulsionar o setor, os EUA estão bem mais atrasados que a China, segundo o estudo de Campbell. Com uma política industrial agressiva, Pequim conseguiu desenvolver no país uma sofisticada indústria de turbinas para geração eólica e de painéis voltaicos, além da produção de peças e partes. Tomou-se líder mundial do setor. Antes de 2005, com a Lei de Energia Renovável, ambos os segmentos já recebiam subsídios e incentivos fiscais, que foram engordados com a legislação.
Os consumidores pagam um adicional de US$ 0,029 por quilowatt/hora para financiar as subvenções ao setor de
energia renovável.

Sujeito à lógica de mercado, ao contrário da China, os EUA têm nos altos custos os principais obstáculos ao desenvolvimento do setor. Mesmo com maioria democrata, Obama não conseguiu a aprovação do Senado ao projeto de lei de Energia Limpa e Segurança Americana. (O Estado de S. Paulo, 22/11)

 

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