Honda investe em projeto de energia eólica

eolica 38.jpgPlanta instalada no Rio Grande do Sul, que deve começar a produzir em setembro do ano que vem, irá abastecer linha de produção em Sumaré (SP). Montadora investiu R$ 100 milhões
 
Investir de um lado para tirar do outro. Literalmente, esse é o objetivo da Honda com o parque de geração de energia eólica anunciado ontem no município Xangri-lá, no Rio Grande do Sul, que será responsável por suprir em sua totalidade a demanda de energia elétrica utilizada na planta industrial de automóveis da companhia em Sumaré, no interior paulista. Com um investimento próprio de R$ 100 milhões, que será pago emsete anos e meio - com numa economia de 45% em relação ao custo da energia da rede - a subsidiária da empresa japonesa no país espera, alémda redução de 30%no volume de emissão de gás carbônico, ampliar o modelo de geração própria para as outras unidades indústrias nos próximos anos.
 
Toda a operação eólica, prevista para começar em setembro de  2014 por meio de nove aerogeradores, será assinada pela Honda Energy (HE), divisão recém-oficializada no país depois de dois anos de pesquisa e avaliação de 30 potenciais sites (áreas de captação) pelo país. Cada turbina será capaz de produzir três megawatts por hora. Juntas, elas produzirão 95 mil megawatts por ano, o equivalente a 30% de energia elétrica consumida em Sumaré. Os outros 70% da matriz energética da planta seguem sendo fornecidas pelo gás natural. Aproximadamente 120 mil unidades são produzidas pela Honda, por ano, hoje.
 
De acordo com Carlos Eigi, executivo que assume a presidência da HE, o acompanhamento dos resultados do projeto experimental serão determinantes para que ele seja ampliado no futuro. "Somos  fabricantes de automóveis, não somos produtores de  energia. Não há interesse emrepassar isso para o mercado, embora a gente não descarte. A meta é atender a nossa própria necessidade. Vamos avaliar os próximos passos, mas devemos ampliar o projeto para atender novas fábricas", disse.
 
No momento, apenas a unidade em construção em Itirapina, no interior paulista, com previsão de início de operação para o segundo semestre de 2015 poderá ser atendida em caso de uma futura expansão do parque eólico da empresa. Isso porque Manaus, onde está a fábrica de motocicletas da companhia, ainda não faz parte do Sistema Integrado Nacional (SIN). Embora produza painéis solares no Japão,  o custo da tecnologia inviabilizou esse caminho. "O vento sempre se mostrou a fonte mais interessante para nós. Os leilões eólicos já acontecem e é a matriz com maior potencialidade hoje", diz Arthur Signori, gerente do departamento de sustentabilidade da Honda. Ele preferiu adquirir um projeto de prospecção e licenciamento ambiental da área que foi desenvolvido pela empresa francesa Teolia. Para conseguir produzir mais energia, a Honda abriu mão da possibilidade de financiamento junto ao BNDES, que exige 80% de nacionalização dos aerogeradores para conceder crédito. No entanto, enquanto as dispositivos nacionais captam até dois megawatts, os importados produzem três.
 
"O modelo adquirido hoje está no topo do nosso portfólio. É o que existe de mais moderno no mundo", acrescenta Eric Gomes, gerente comercial da Vestas ( empresa dinamarquesa responsável pelos geradores) no país. Já as obras e redes de transmissão ficarão sob a responsabilidade da empreendedora Santa Rita. Na área rural de 3,2 milhões de metros quadrados onde serão colocadas as torres de 98 metros de altura há uma plantação de arroz que será mantida. Para o total de energia gerada, uma parcela, em dinheiro, será destinada ao proprietário do terreno. Segundo Elba Melo, presidente da Abeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), o projeto da montadora é mais um importante passo no esforço de expansão da matriz eólica no país.
 
"Até o fim do ano, 3% da matriz enérgica nacional será eólica. Caminhamos para subir a 7% até 2017", diz ela. Nos últimos anos, com as iniciativas públicas de fomento de crédito, a geração eólica saltou de 1,4 gigawatts em 2009 para 3,4 atuais, ou de 0,5% para 1%dos 300 gigawatts de capacidade estimada de geração nacional.
 
NÚMEROS
 
120 mil
 
É a produção anual de veículos que saemda planta industrial instalada emSumaré, no interior de São Paulo.
 
95 mil
 
Volume de megawatts que será produzido por ano, comas nove turbinas. Isso equivale a 30%de energia elétrica consumida na unidade de montagem de carros. (Brasil Econômico, 30/10)
home features revista

REVISTA CIER

Confira todas edições da Revista CIER
"Sem fronteiras para a energia"
 Agenda

AGENDA ENERGÉTICA

Desafios e oportunidades na América
Latina e no Caribe
 

 

Strategy

SÍNTESE INFORMATIVA

Informações do setor energético
no Brasil e na América Latina
 Strategy

NOTÍCIAS

Acompanhe as últimas notícias 
do setor energético
 

 

Ideas

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Leia as edições anteriores