Sol vira fonte de renda no sertão baiano

18.11.2013 (Folha de S. Paulo)
fotovoltaica3.jpgMoradores de prédios do Minha Casa, Minha Vida vão administrar 'microusina' doméstica de energia solar em Juazeiro. Nova fábrica da Pirelli, em Feira de Santana, também vai usar tecnologia para produzir vapor
 
Contemplada pelo programa Minha Casa, Minha Vida há dois anos, Gilsa Martins de Oliveira, 54, tornou-se proprietária de uma casa de dois quartos no condomínio Morada do Salitre, em Juazeiro (BA). A partir do fim deste mês, ela passa a gerir também uma "microusina" doméstica de energia solar.
 
"Eu estou animada, já tinha ouvido falar dessas placas, mas sabia que existia só em casa de rico", conta.
 
Síndica do condomínio, ela se refere aos painéis fotovoltaicos colocados sobre os telhados de 1.000 casas em dois residenciais populares para transformar luz do sol em energia no sertão baiano.
 
A 395 km dali, em Feira de Santana (BA), a nova fábrica de pneus da Pirelli, prevista para ser inaugurada em meados do ano que vem, também vai utilizar coletores solares gigantes para produzir vapor, tecnologia inédita no mundo em escala industrial.
 
O calor do sol nordestino será colhido por espelhos gigantes espalhados por uma superfície de 2.400 m² e armazenado em tubos que manterão a temperatura a 500°C. "O equipamento solar será conectado diretamente às linhas de vapor utilizadas para a produção de pneus", diz Mario Apollonio, gerente de energia da Pirelli.
 
"Com a energia solar, a emissão de carbono será zerada nessa etapa", afirma o técnico. A estimativa é de redução de 2.000 toneladas na emissão gás carbônico, em cinco anos, sem a queima de gás natural ou diesel para alimentar as caldeiras.
 
O investimento é de cerca de € 2 milhões, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente da Itália.
 
As duas experiências-piloto são sinais de que o Brasil, terra das hidroelétricas gigantes, começa a despertar para outras formas de geração de energia limpa.
 
VENDA DE ENERGIA
 
Parceria do fundo socioambiental da Caixa Econômica Federal com a empresa Brasil Solair, o projeto de Juazeiro, também pioneiro no Minha Casa, Minha Vida, foi regulamentado no mês passado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
 
A estimativa é que a instalação de 9.500 painéis solares nos dois condomínios possa produzir 3.600 megawatts por ano. "Toda a energia gerada será medida e vendida para a própria Caixa", afirma Nelson da Silveira, presidente da Brasil Solair.
 
O projeto tem capacidade instalada para gerar 3.500 MW/h, suficientes para abastecer 1.600 casas populares. Os sistemas serão conectados à distribuição da Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia).
 
Estudos preliminares calculam que a energia excedente a ser produzida nos dois residenciais corresponderá à quase totalidade do consumo anual do prédio central da Caixa em Salvador.
 
O valor que o banco pagaria à Coelba será repassado então à associação de moradores pela distribuidora.
 
Orçado em R$ 7 milhões, o projeto de microgeração de energia é voltado para moradores com renda de até três salários mínimos, organizados numa associação que vai administrar os recursos.
 
Depois de abatidas as despesas, cada morador deve receber por mês cerca de R$ 90.
 
TECNOLOGIA ITALIANA
 
Os italianos também apostam no potencial brasileiro. "Além do projeto na Bahia, estamos propondo o uso de tecnologia similar para geração de eletricidade em São Paulo, na construção civil, em universidades e em hospitais", afirma Corrado Clini, diretor do Ministério do Meio Ambiente da Itália.
 
Energia solar participa pela 1ª vez de leilão
DE SÃO PAULO
 
O Brasil abre pela primeira vez hoje espaço em um leilão de energia para empresas interessadas em investir em projetos solares.
 
No pregão, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) vai comprar energia gerada a partir de fontes limpas, para ser entregue às distribuidoras em 2016.
 
A maioria dos 429 projetos habilitados é de fornecedores de energia eólica (381). Há 31 de energia solar fotovoltaica.
 
"Muito provavelmente, as geradoras de energia solar ainda não vão entrar de modo competitivo nesse primeiro leilão no atacado", afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
 
A razão é o preço. De acordo com Tolmasquim, a energia solar é hoje no Brasil de três a quatro vezes mais cara que a gerada pelo vento.
 
"A tendência é cair o preço, que foi reduzido à metade em dez anos", afirma.
 
Tolmasquim calcula que a eólica deve entrar no leilão em torno de R$ 110 reais o megawatt/hora. A energia solar ainda engatinha no Brasil. Está entrando de forma descentralizada nas residências desde que houve a regulamentação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
 
"Foi permitida, em 2012, a instalação de medidores bidirecionais, que medem quanto é consumido, quanto se recebe da rede e quanto se manda para ela a partir do painel fotovoltaico", diz. (Folha de S. Paulo, 18/11)
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