Cemig investirá R$ 1,8 bi em gasoduto

28.01.2014 (O Estado de S. Paulo) 

Com a nova estrutura, a Gasmig, controlada pela estatal mineira, espera dobrar fornecimento de gás natural canalizado para indústrias.
 
A Gasmig, distribuidora dc gás natural canalizado de Minas Gerais controlada pela Cemig, planeja dobrar de tamanho em volume de vendas com a construção dc um gasoduto entre Betim e Uberaba. Com capacidade para transportar 3 milhões de metros dc cúbicos por dia (m3/d) dc gás, o gasoduto é uma das apostas da empresa para avançar no fornecimento nas regiões central e sul do Estado, locais com grande presença de indústrias.
 
Estimado em RS 1,8 bilhão, o gasoduto de 457 quilômetros abastecerá a nova fábrica de fertilizantes da Petrobrás, que será construída em Uberaba. Em fase de projeto básico, a planta consumirá 1,2 milhão de m3/d e ficará pronta em novembro de 2016. O presidente da Gasmig, José Carlos de Mattos, disse que o gasoduto tem de ficar pronto até março para fornecer gás a partir de novembro.
 
Além de atender a demanda industrial do Triângulo Mineiro, o gasoduto também passará por cidades com mercados potenciais de gás, como Itaúna, Di-vinópolis, Araxá e Igarapé. "Há uma grande demanda por gás de siderúrgicas, mineradoras e empresas de fertilizantes", disse. A Gasmigjá vem explorando o mercado industrial mineiro.
 
Desde 2010, a companhia fornece gás às indústrias instaladas no chamado Vale do Aço, como Cenibra e Arcelor Mittal.
 
Embora represente pouco mais de i%do Ebitdaconsolida-do da Cemig (dadode 2012, indicador mede geração de caixa), o negócio de gás tem ganhado importância para a estatal mineira. Tanto que a empresa foi a primeira do setor elétrico brasileiro a se aventurar nos leilões da ANP (Agência Nacional de Gás Natural e Biocombustí-veis) para produzir o próprio gás, seja para vender aos seus clientes por meio da Gasmig, seja para o desenvolvimento de novos projetos termelétricos. As campanhas exploratórias mais promissoras da empresa são em blocos na Bacia do São Francisco (MG).
 
Potencial. O interesse se justifica pelos números do mercado mineiro. Até 2020, a Cemig projeta que o consumo de gás no Estado possa alcançar 37,708 milhões de m3/d, quase 10 vezes mais do que o comercializado pela Gasmig hoje - descontado a demanda térmica, que gira em torno de 1,1 milhão de m3/d, o consumo de residências, indústrias, comércio e veículos gira em torno de 2,8 milhão de m3/d, abaixo do potencial do mercado mineiro. Com o gasoduto, a companhia alcançaria um mercado de 7 milhões de m3/d. A Gasmig é, hoje, a terceira maior distribuidora do País, atrás da Ceg (RJ) e Comgás (SP).
 
Mais do que crescer no mercado de gás, os investimentos em gasodutos integram um plano do governo mineiro para estimular o desenvolvimento da economia local. Dos 37,708 milhões de m3/d previstos para 2020, 26,800 milhões de m³/d viriam da instalação de novas fábricas e novas térmicas. A Cemig projeta a vinda de siderúrgicas, indústrias cerâmicas, vidreiras, petroquímicas e empresas de papel e celulose para Minas Gerais.
 
A construção do novo gasoduto, que só sairá do papel porque o gasoduto Ribeirão Preto (SP)-Uberaba (MG) foi considerado ilegal à luz da Lei do Gás, deverá ser bancada com recursos da Gasmig, dos sócios da concessionária e de crédito do BNDES. (O Estado de S. Paulo, 28/01)
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