CPFL Renováveis: R$ 1,5 bi para incorporação da Desa

18.02.2014 (Jornal do Commercio - RJ)
Uma das principais empresas independentes de energia renovável do País, companhia quer, com a aquisição, elevar em 18,5% sua capacidade instalada contratada atual
 
A CPFL Renováveis está incorporando a Dobrevê Energia (Desa), uma das principais empresas independentes de energia renovável do Brasil, em uma operação que pode envolver R$ 1,5 bilhão. O presidente da CPFL Renováveis, André Dorf, explicou ontem que o acordo ainda prevê que a sua companhia assumirá cerca de R$ 856 milhões em dívidas da Desa.
 
"O mercado de energia está agitado, mas a transação mira o longo prazo", disse ele. "A ideia é que os ativos são complementares."  Com a aquisição, a CPFL elevará em 18,5% sua capacidade instalada contratada atual, que passará de 1.786,6 megawatts (MW) para 2.117,4 MW. A Desa tem um total de 331 MW de capacidade total contratada.  Pelo acordo, o fundo de investimento em participações FIP Arrow, que controla a Desa, assumirá participação de 12,63% no capital da CPFL Renováveis, diluindo as participações da controladora, CPFL Energia, e dos sócios atuais da companhia - Pátria, Eton Park, BTG Pactual , Bradesco BBI, GMR Energia, KFW e Previ.
 
O valor da fatia a ser assumida pelo FIP Arrow na CPFL Renováveis, segundo a cotação de fechamento da ação da companhia na sexta-feira, de R$ 12,70, é de cerca de R$ 708 milhões.  O FIP Arrow ingressará como parte no acordo de acionistas da CPFL Renováveis e terá direito de nomear um membro para o Conselho de Administração da companhia. A controladora CPFL Energia ficará ao final da operação com participação de 51,41%, ante atuais 58,84%.
 
O anúncio encerra meses de rumores no mercado sobre negociações entre a CPFL e os acionistas da Desa, que incluem a família Weege, controladora do grupo Malwee. "É a maior associação já feita pela companhia desde 2011", disse Dorf.  Segundo Dorf, a CPFL Renováveis tem uma carteira de projetos 3,8 gigawatts em geração  de energia via pequenas centrais hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares. Enquanto isso, a Desa tem projetos para 2,6 gigawatts, dos quais cerca de 1 gigawatt em hidrelétricas e 1,6 em eólicas.
 
A expectativa dos grupos é que a operação seja concluída até meados do segundo trimestre, após aprovações de instâncias que incluem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), credores da Desa e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).  Ainda conforme Dorf, a CPFL Renováveis segue avaliando oportunidades de fusões e aquisições de maneira "bem seletiva". O grande foco no curto prazo, porém, é integrar os 72 ativos de geração, detalhou, em referência aos 60 ativos em operação da CPFL Renováveis e aos 12 ativos da Desa. 
 
Além do anúncio da incorporação da Desa, a CPFL Renováveis deve concluir neste trimestre a aquisição da Rosa dos Ventos, por cerca de R$ 100 milhões, com recursos da oferta pública inicial de ações da companhia, que levantou R$ 1 bilhão em julho do ano passado. "Vamos seguir com muita disciplina, avaliando oportunidades tanto de fusões e aquisições, quanto de realização dos projetos combinados", disse Dorf. (Com agências) (Jornal do Commercio - RJ, 18/02)
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