Estatal russa abrirá uma subsidiária no Rio

Rosatom tem interesse em construção de usinas e soluções para rejeitos
 
Os russos estão interessados no problema do lixo atômico (rejeitos das centrais nucleares) no Brasil. O vice-presidente da Rusatom International Network, subsidiária da estatal russa de energia nuclear Rosatom, Ivan Dybov, informou que a companhia vê oportunidades no Brasil, não apenas na construção de centrais nucleares, mas na oferta de soluções como a construção de tanques para o depósito final dos rejeitos radioativos, além de equipamentos para outras áreas do setor, como energia eólica. Dybov anunciou que, para incrementar os negócios no Brasil, a Rosatom decidiu criar uma subsidiária que atuará em toda a América Latina. Ela ficará instalada no Rio e deve ser aberta ainda este ano, com cerca de 20 empregados.
 
Nesta semana, O GLOBO mostrou que a usina nuclear Angra 2 corre o risco de ser desligada em 2017 em razão do esgotamento dos depósitos de rejeitos radioativos, de acordo com uma avaliação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A mesma situação pode se repetir com a usina Angra 1, em 2018 ou 2019. A avaliação da Cnen foi encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU).
 
Os interesses no Brasil são diversos e incluem, além da construção de usinas nucleares, a oferta de serviços na área de radioisótopos para medicina nuclear, equipamentos e serviços para outras áreas do setor energético, como na energia eólica. Na área de rejeitos de centrais nucleares, Dybov destacou que a empresa pode prestar serviços com a tecnologia de construção de tanques de armazenamento. O executivo faz parte de uma comitiva de dirigentes da Rosatom que participa no Rio do Seminário Internacional de Energia Nuclear.
 
REAVALIAÇÃO DE SEGURANÇA
 
Segundo o executivo, estão em operação na Rússia 33 usinas nucleares com um total de 22 mil megawatts (MW) de capacidade, além de outras nove em construção. Em outros países, como Índia, China e Turquia, entre outros, a Rosatom conta com outras 22 centrais nucleares em construção. De acordo com as projeções de Dybov, até 2030 a Rosatom terá em construção 80 novas centrais nucleares ao todo.
 
Passados alguns anos após o acidente de Fukushima no Japão, com um terremoto seguido de tsunami em 2011, o mercado não mostra sinais de mudanças mais drásticas, segundo o executivo:
 
- A Alemanha já tinha decidido parar seu programa nuclear antes do acidente. Todos os países reavaliaram os parâmetros de segurança e depois, todos continuaram desenvolvendo seus programas nucleares, como China, Índia e Inglaterra, entre outros.
 
Segundo o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, o governo deve construir mais quatro usinas nucleares, de mil megawatts cada, até 2030. Ele avalia, no entanto, que até 2025 o país não terá novas centrais, além de Angra 1, Angra 2 e Angra 3, esta última em construção.
 
O assistente da Diretoria Técnica da Eletronuclear, Paulo Carneiro, também presente ao seminário, disse que a estatal espera receber este mês autorização da Eletrobras para assinar dois contratos de montagem eletromecânica de Angra 3 de cerca de R$ 3 bilhões.
 
- A Eletrobras quis conhecer melhor os valores envolvidos, as propostas vieram dentro dos limites da licitação. Os esclarecimentos foram dados e a expectativa é que a contratação seja aprovada - explicou Carneiro, lembrando que a usina entrará em operação em 2018. (O Globo, 15/05)
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