Light investirá R$ 750 milhões em redes inteligentes

Distribuidora do Rio conclui licitação para instalar 1 milhão de medidores eletrônicos até 2018
 
A Light, distribuidora de energia que atende a região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, concluiu a licitação para a aquisição de 1 milhão de medidores eletrônicos e da rede de comunicação inteligente - a chamada "smart grid" - que irá implantar ao longo dos próximos cinco anos. O contrato, de R$ 750 milhões, será assinado com a Landis+Gyr, fabricante de origem suíça e adquirida pela japonesa Toshiba em 2011.
 
O contrato é peça chave para a estratégia da Light de reduzir as perdas comerciais (furto e fraude de energia), cujo investimento nos próximos cinco anos totaliza R$ 2 bilhões. Desse montante, R$ 1,25 bilhão será aportado pelos acionistas e R$ 750 milhões obtidos via tarifa de energia, cujo repasse foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no ano passado.
 
O compromisso firmado com a autarquia deu o fôlego e, ao mesmo tempo, a responsabilidade necessários para a empresa cumprir a agressiva trajetória de redução do índice de perdas comerciais sobre o mercado de baixa tensão, dos atuais 42,4% (um dos mais altos do país) para 29% até 2018.
 
O furto de energia é considerado internamente um "câncer" para a Light. Segundo o diretorpresidente da empresa, Paulo Roberto Pinto, a companhia deixa de arrecadar R$ 2 bilhões por ano com perdas comerciais. O volume de energia não faturado equivale a todo o consumo do Estado do Espírito Santo.
 
Para implantar o sistema de smart grid, a companhia montou um escritório específico sobre programa, que reporta diretamente à presidência da empresa e conta com 250 pessoas em tempo integral. Além disso, a equipe tem o suporte de mil homens em campo. "Não se trata de um projeto piloto", destacou Pinto.
 
A meta da empresa é disponibilizar a rede inteligente para 1,6 milhão de consumidores, o equivalente a cerca de 40% do total de clientes da distribuidora, até 2018. Até o fim deste ano, a companhia espera alcançar a marca de 600 mil medidores eletrônicos instalados em residências de sua área de concessão. O programa terá prioridade na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio de Janeiro, as regiões mais críticas em termos de perdas.
 
Estudado há mais de um ano pela companhia, o programa de smart grid prevê a implantação de uma moderna rede de comunicação de dados própria, ao invés  de utilizar um sistema de telecomunicações existente. "Será uma rede dedicada ao cliente, em que o grau de sofisticação é muito grande", acrescentou o diretor-presidente da Light.
 
A rede terá uma estrutura de armazenamento e transmissão de dados em grande quantidade interligados por rádio, o chamado sistema em nuvem, no jargão das telecomunicações. Entre outras medidas, a rede permitirá o aumento da qualidade do serviço e a redução do tempo de duração de interrupção no fornecimento de energia, importante indicador considerado pela Aneel nos processos revisão tarifária.
 
O resultado da licitação foi aprovado na última semana pelo conselho de administração da Light. Nos próximos dois meses, a distribuidora e a Landis+Gyr farão um trabalho de aprimoramento das medidas que serão implantadas, inclusive para adotar as regras do sistema pré-pago aprovadas recentemente pela Aneel. A previsão é que o contrato seja assinado após esse prazo.
 
Questionado sobre o risco de descontinuidade do programa de pacificação de comunidades, caso haja uma mudança no governo do Rio de Janeiro este ano, o presidente da Light afirmou que, qualquer que seja o vencedor das eleições, ele deve priorizar a segurança do Estado. O tema é essencial para que a empresa mantenha o programa de regularização da rede de energia em comunidades pacificadas.
 
"Acredito que o governo que vier vai dar prioridade à segurança do Estado. É um caminho sem volta. Não há como programa dar certo sem o apoio do governo", disse o executivo.
 

Até o fim de 2013, das 34 comunidades pacificadas, a Light realizou ações em 17 áreas. Dessas, nove já tiveram a reforma da rede concluída. O resultado foi uma queda do índice de perdas de 53 pontos percentuais, para 11,1%, e um aumento do índice de adimplência para 98,5%.
 
Com relação à exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo, Pinto afirmou que acredita que o governo federal continuará auxiliando as empresas, cujo caixa está comprometido com a compra da energia ao preço spot, de R$ 822,83 por megawatt-hora (MWh). Segundo ele, o leilão de energia existente, realizado no fim de abril reduziu a necessidade de recursos da ordem de R$ 360 milhões para a empresa. "Mas ainda temos uma exposição muito grande", disse.
 
A empresa divulgou ontem lucro líquido de R$ 180,5 milhões no primeiro trimestre. O resultado foi 129,5% maior em relação a igual período do ano passado. (Valor Econômico, 16/05)
 
home features revista

REVISTA CIER

Confira todas edições da Revista CIER
"Sem fronteiras para a energia"
 Agenda

AGENDA ENERGÉTICA

Desafios e oportunidades na América
Latina e no Caribe
 

 

Strategy

SÍNTESE INFORMATIVA

Informações do setor energético
no Brasil e na América Latina
 Strategy

NOTÍCIAS

Acompanhe as últimas notícias 
do setor energético
 

 

Ideas

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Leia as edições anteriores