Consumo em junho cresce 4,7%

O consumo de gás natural no Brasil totalizou 75,854 milhões de metros cúbicos diários (m³/d) em junho, de acordo com dados publicados ontem pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). O volume representa expansão de 4,7% em relação a junho do ano passado, mas é 6,17% inferior ao registrado em maio deste ano. O incremento na comparação anualizada foi impulsionado principalmente pela expansão de 6% no consumo para geração elétrica, ou seja, na utilização do gás natural para abastecer térmicas. O consumo residencial, com alta de 4,57%, e o consumo comercial, com expansão de 3,76%, também contribuíram para a alta do indicador. Os destaques negativos ficaram com o segmento industrial, com retração de 3,81%, e o automotivo, com queda de 6,07%.
 
Na comparação entre os meses de junho e maio deste ano, chama a atenção o salto de 20,71% no consumo residencial e a expansão de 8,10% no consumo comercial. O resultado negativo, contudo, foi explicado pelo menor consumo na atividade de geração elétrica (-10,65%), no segmento automotivo (-4,7%) e nas indústrias (-4,14%). Vale destacar que os resultados de junho podem ter sido  parcialmente influenciados pela realização da Copa do Mundo no Brasil.
 
O levantamento também apresenta os dados semestrais do setor. O consumo cresceu 9,37% entre janeiro e junho, na comparação com igual período do ano passado, impulsionado pelos recordes registrados em março e abril, segundo a Abegás.  O resultado também foi puxado pelo consumo de gás na geração elétrica, com alta de 10,38%. A cogeração também cresceu, 3,33% na comparação semestral. "O setor de cogeração vem ganhando força desde maio devido à maior competitividade em relação a outros insumos energéticos e à alta do preço da energia elétrica", destacou a Abegás. Destaque também para a expansão de 1,94% no consumo residencial, em contraste à queda de 4,07% no segmento residencial. O consumo no segmento comercial cresceu 2,78%, enquanto a linha automotiva apresenta retração de 2,89% na mesma comparação semestral.
 
O presidente-executivo da Abegás, Augusto Salomon, alerta para o fato de que o quadro de perda da competitividade industrial, especialmente de indústrias que fazem uso intensivo do gás natural, deverá ser agravado no segundo semestre. A preocupação está associada à decisão da Petrobras de reajustar o preço do gás em 1,57%, em média, a partir de 1º de agosto, segundo o executivo. (Jornal do Commercio - RJ, 30/07)
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