Usinas hidrelétricas e termelétricas estão em expansão

Com 158 novos empreendimentos, país espera ver um crescimento de 20% no número de hidrelétricas e de 14% entre as termelétricas

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Usina hidrelétrica de Pari-Veado, no estado de São Paulo (Foto: Luciano Queiroz/shutterstock.com)

O Brasil tem, atualmente, 158 novos empreendimentos de termelétricas e hidrelétricas distribuídos pelo território nacional, segundo levantamento elaborado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket. O estudo indica que, de todos os projetos, 19 já se encontram em fase de execução e outros 139 estão em estudo.

A região que receberá o maior número de usinas geradoras de energia é a sudeste, com 35% do total. Na sequência, vêm as regiões sul (24%), centro-oeste (17%), norte (15%) e nordeste (8%). Há ainda outros dois empreendimentos sem local definido, o que representa 1% das obras. A análise feita por Estado mostra que Minas Gerais figura na primeira colocação, com 37 projetos; em segundo lugar, com 18, aparece o Paraná; e em terceiro fica o Mato Grosso, com 16.

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POTENCIAL DO NORTE E NORDESTE

Segundo o engenheiro Luiz Roberto Morgenstern Ferreira, consultor da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), o potencial hídrico da região norte do país torna mais econômica a geração de energia. Entretanto, para calcular o custo total, é preciso levar em consideração os investimentos na infraestrutura de transmissão, que leva a eletricidade para os grandes centros consumidores, situados principalmente no sudeste. “Da mesma forma, os melhores locais para instalação de geração eólica e fotovoltaica estão no nordeste, mas, novamente, o custo de distribuição deve ser considerado”, destaca o profissional.

Em um cenário ideal, os recursos voltados para expansão da matriz energética brasileira deveriam ser destinados para construção de diferentes fontes de geração, com ênfase nas mais econômicas. “No horizonte dos próximos três anos, a capacidade de geração hidrelétrica deverá crescer 20% e a termelétrica aumentará 14%”, informa Ferreira.

Apesar do desenvolvimento desses dois tipos de usinas, ambas têm taxas de crescimento inferiores às da energia eólica, que deve dobrar de tamanho até 2019, passando de 7,8 mil MW para 16 mil MW. O sistema que transforma a força do vento em eletricidade tem geração intermitente e, por isso, precisa do apoio de outros sistemas com capacidade de regularização, como os de hidrelétricas e termelétricas.

EXPANSÃO ATRAVÉS DE LEILÕES
A expansão da matriz energética nacional está atrelada aos leilões promovidos pelo Ministério de Minas e Energia que, até poucos anos atrás, apresentava como principal preocupação o custo da eletricidade, sem levar em conta a localização ou a fonte básica da energia (hidráulica, térmica ou eólica).

“Atualmente, os leilões têm sido realizados de maneira diferenciada por fonte de geração, com certames específicos para usinas eólicas, fotovoltaicas e hidrelétricas de pequeno e grande porte. Sem contar os específicos de usinas estruturantes, como Belo Monte, Jiral e Santo Antônio”, afirma o engenheiro.

Problema enfrentado atualmente pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) é a expansão hidrelétrica baseada, quase que exclusivamente, em usinas sem capacidade de armazenamento, as chamadas "a fio d’água". “Isso acontece devido ao esgotamento da disponibilidade de áreas com capacidade de regulação e também aos preços e impactos ambientais”, destaca Ferreira. Essa nova configuração a que o SIN está se convertendo (redução da capacidade de armazenamento) faz com que o sistema necessite utilizar cada vez mais as fontes de geração termelétricas para o atendimento da demanda.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL
A etapa de licenciamento ambiental é a que representa maior dificuldade em projetos de termelétricas e hidrelétricas, pois existe grande dificuldade em se prever qual o montante total a ser investido para a obtenção das autorizações. Além disso, a obtenção da licença ambiental pode acarretar atrasos na implantação do empreendimento, que, por consequência, traz prejuízos significativos para os investidores.

“Na licença prévia – documento a que o investidor tem acesso antes do leilão –, não constam todas as exigências do órgão ambiental e, ainda, outras obras que nada têm a ver com o empreendimento são requisitos para a obtenção da licença ambiental definitiva”, conclui Ferreira.

(PORTAL AECWEB, 04/05/2016)

Tags: energia, termelétrica, integração energética, MME, usinas, hidrelétrica, expansão, eletricidade, potencial hídrico, matriz energética, leilões,

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