Plataforma digital permitirá simulação de sistemas elétricos em atlas interativo

Projeto SIGER Atlas vai reunir dados e ferramentas para simulação e estudos de novos projetos de interconexão dos sistemas elétricos dos 16 países da região da CIER

A economia da América Latina tem no setor energético um dos seus drives mais dinâmicos, mesmo sendo este caracterizado como intensivo em capital e com baixas taxas de retorno, que se traduzem por longos prazos para retorno dos investimentos. A região, reconhecida por seus abundantes recursos energéticos, sejam eles renováveis ou não, tem, por motivos diversos, evoluído de forma muito tímida na direção da integração energética se considerada a grande variedade de projetos estudados e os benefícios que eles podem proporcionar. No caso específico da fonte hidroelétrica, base para alguns importantes processos de integração na região, há instalados hoje somente 25% do potencial inventariado na região, que poderia chegar até 594 GW.

A Comissão de Integração Energética Regional (CIER) defende que alguns requisitos são fundamentais para o desenvolvimento sustentável deste setor, e por extensão, de um nível mais profundo de integração energética entre os países, dentre eles: o conhecimento dos recursos energéticos da região; marcos regulatórios adequados e estáveis, os quais favoreçam a competitividade entre agentes nele atuantes e entre fontes energéticas; condições comerciais favoráveis ao desenvolvimento do setor; e disponibilidade de informação setorial atualizada e confiável. Além disso, se necessita dispor de ferramentas confiáveis para a realização de estudos e simulações que possam quantificar os benefícios advindos e demonstrar a viabilidade do processo de integração energética.

siger atlas

Neste sentido, a CIER está lançando agora o SIGER Atlas, desenvolvido com base em uma plataforma web que permitirá prover a região da América do Sul e Central de um atlas digital georeferenciado dos sistemas elétricos de 16 dos países que a compõem, atualizado periodicamente, além de servir como ferramenta para a realização rápida e segura de estudos de novos projetos de interconexão desses sistemas, através de um Sistema Integrado para a Gestão Energética Regional – SIGER.

As recentes mudanças no cenário regional – impacto dos fenômenos climáticos que impliquem em mudanças nos regimes de chuvas e de ventos; introdução de novas fontes renováveis: eólica, solar e biomassa; introdução de novas fontes não renováveis: gás de xisto e GNL; e novas configurações pelo lado da demanda, como veículo elétrico, smart grid e geração distribuída – são desafios que estão sendo estudados para modelagem no SIGER Atlas, que também se propõe a funcionar como ambiente computacional integrado para o desenvolvimento de planejamento energético, inclusive em base regional. Os recursos computacionais propostos consistem em um sistema de cloud computing tanto para a base de dados central como para as ferramentas de utilização desses dados para estudos e simulações a partir de computadores remotos de usuários registrados em níveis hierárquicos de acesso específicos e mediante senha. O SIGER Atlas já está disponível para testes preliminares e deverá estar totalmente operacional para os usuários registrados na CIER até o final de 2015, quando deverá ter sido atualizada pelos Comitês Nacionais da CIER a base de dados do sistema, inclusive com a inserção da Venezuela.

Em 2004 a CIER publicou o primeiro Atlas Energético da América do Sul, que então constituía a área de abrangência da Comissão. Neste documento se encontrava um retrato bastante fiel da estrutura física dos sistemas elétricos de cada um dos 10 países daquela região afiliados à CIER, onde se detalhavam usinas geradoras, subestações e linhas de transmissão, além das interconexões existentes.

Como resultado do Projeto CIER 15, o qual consistiu em estudo de viabilidade de 12 projetos de integração nas regiões Andina, Cone Sul e América Central a partir das transações de energia entre essas regiões, foi compilado um extenso banco de dados dos sistemas elétricos de 15 países dos países que as compõem. Esses 12 projetos analisados implicavam na construção de aproximadamente 10 mil km de linhas de transmissão e de 6.500 MW de capacidade instalada de geração, com necessidade de investimentos da ordem de US$5 bilhões. Sua implantação resultava em uma redução de custos operativos da ordem de US$1,5 bilhões por ano, além de evitar a emissão anual de 8 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera e aumentar a segurança energética dos países envolvidos.

Cabe destacar que houve avanços em alguns dos projetos analisados pelo CIER 15, como a interconexão Brasil-Uruguai, que deve iniciar sua operação ainda este ano, além das interconexões Colômbia-Panamá e Brasil-Bolívia, ambas em diferentes fases de estudo. Ademais, novos processos de integração foram propostos na esteira do Projeto CIER 15, como o denominado Arco Norte, que pretende integrar o Brasil, a partir de Roraima e Amapá, com a Guiana, Suriname e Guiana Francesa; e o SINEA – Sistema de Interconexão Elétrica Andina, que reúne Chile, Colômbia, Equador e Peru, além da Bolívia na qualidade de observador, o qual prevê a criação do Corredor Elétrico Andino, com o objetivo de melhorar o comércio de energia elétrica entre esses países.

A CIER também iniciará o estudo de um processo de integração energética sub-regional envolvendo Argentina, Uruguai e Paraguai, além do Brasil e Chile. O estudo prevê a construção de usinas hidroelétricas no Brasil, Argentina e Paraguai, somando a aproximadamente 7.000MW de capacidade instalada (equivalente a parte brasileira de Itaipu), além da necessidade de construção de cerca de 6.500 km de linhas de transmissão. Com isso, as fontes eólicas poderiam ter sua energia assegurada por essas novas usinas. Todos poderiam usufruir desta energia, inclusive o Chile, consumidor nato, a partir de regras a serem definidas em conjunto pelos envolvidos. Tais avanços indicam que, apesar das diversas dificuldades, o interesse na integração elétrica regional é real e conta com apoio de muitos governos.

*Por Eduardo Veiga Cunha - Gerente Administrativo do Comitê Brasileiro da Comissão de Integração Energética Regional (BRACIER)

 

(BRACIER, 13/07/2015)

Tags: BRACIER SIGER Atlas, SIGER, Planejamento Energético, CIER 15,

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