Cier estuda integração na América do Sul

Estudo prevê a construção de 7 mil MW de usinas hidrelétricas e 6,5 mil quilômetros de linhas

A Comissão de Integração Energética Regional (Cier) planeja realizar estudo sobre integração energética sub-regional envolvendo cinco países da América do Sul: Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil e Chile. O estudo, que está prestes a começar, prevê a construção de cerca de 7 mil MW de hidrelétricas no Brasil, Argentina e Paraguai, além da implantação de 6,5 mil quilômetros de linhas de transmissão.

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"Com isso, fontes eólicas brasileiras e uruguaias poderiam ter sua energia assegurada por essas novas usinas, e todos os países poderiam usufruir desta energia", comenta Eduardo Veiga Cunha, gerente administrativo do Bracier, o comitê brasileiro da Cier. Embora já existam interconexões entre os países desta sub-região, a expansão deste tipo de intercâmbio ainda caminha devagar. Fatores como as diferenças de marco regulatório e estruturas de mercado emperram a integração energética. "Esta diversidade dificulta a integração energética da região, mas não a impede. Uma maior harmonização na regulação dos setores energéticos poderia auxiliar em muito a viabilidade de diversos processos de integração energética em nossa região", destaca Cunha, observando que apenas as interconexões que o Brasil tem com a Venezuela e a de Itaipu (Paraguai) tem caráter permanente. As demais são intermitentes.

Benefícios da integração

A maior integração energética poderia, por exemplo, ajudar mais o país num momento de crise hidrológica, como o atual que já se arrasta desde 2012. Cunha explica que esta oferta de energia reduziria em um volume equivalente ao feito por meio de térmicas, certamente a um custo mais baixo.

Por exemplo, lembra ele, em outubro do ano passado, enquanto o PLD custava cerca de US$ 335/MWh e o custo operacional médio das térmicas na casa de US$ 530/MWh, o preço da energia no mercado livre do Uruguai chegava a US$ 226/MWh.

Estudos realizados pela Cier apontaram para uma economia anual da ordem de US$ 1 bilhão em benefícios por redução de custo operativo. "Esta redução poderia ser transferida de forma equivalente ao preço das tarifas, caso se realizasse uma gestão integrada e eficiente dos sistemas energéticos latino-americanos", aponta. Segundo ele, os estudos também mostraram que a gestão integrada evitaria investimentos na casa de US$ 9,4 bilhões em obras de geração e transmissão de energia. Os estudos serviram de base para o Projeto Cier 15, que avaliou a viabilidade da integração entre os mercados dos países dos Andes, da América Central e do Mercosul.

Oportunidades

Com apenas 25% do potencial hidrelétrico explorado, os países da região oferecem boas oportunidades. Um exemplo é a Bolívia, que estima que seu excedente de geração de energia elétrica pode chegar a 1.007 MW, em 2020, e a 3.896 MW, em 2005. Outra oportunidade vem com o projeto Arco Norte, cuja viabilidade é alvo de estudos da Eletrobras. Esta interconexão visa integrar o Brasil e os países das Guianas. Estima-se que o potencial hidrelétrico na região fique em torno de 4 mil MW.

 

(BRASIL ENERGIA, 29/5/2015)

Tags: CIER BRACIER integração energética,

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