Próximos leilões de reserva devem atrair mais investidores

Segundo especialistas, a licitação realizada na sexta-feira foi prejudicada pelo prazo muito curto para implementação dos projetos, o que não deve ocorrer com os pleitos de agosto e novembro

termo gas

Os próximos leilões de energia de reserva devem ter mais interessados do que o realizado na última sexta-feira, acreditam analistas. A licitação da semana passada foi prejudicada pelo prazo curto para implementação dos projetos e não teve nenhuma proposta. 

O Ministério de Minas e Energia (MME) já anunciou que está organizando ao menos dois outros Leilões de Energia de Reserva neste ano, um em agosto e um em novembro. Na segunda licitação de 2015 serão negociados contratos para geração solar fotovoltaica, com início de suprimento em agosto de 2017. Já no terceiro poderão concorrer usinas eólicas e fotovoltaicas, com entrega prevista para novembro de 2018. 

"Os próximos leilões trabalham com prazos e fontes muito distintas", explicou a analista da Thymos Energia, Thais Prandini. "Eles serão afetados por outros problemas, como o cenário adverso para financiamento e preços-limites mais reduzidos, mas a perspectiva é que tenham procura muito maior."

A primeira licitação de energia reserva terminou sem negociação porque o investidor viu um risco muito alto de não conseguir instalar o empreendimento a tempo, afirma a especialista. Ela diz, entretanto, que isso não deveria diminuir o interesse por concessões regionais, que ajudam a aliviar o sistema.

O leilão, realizado na sexta-feira (3), previa que o suprimento de energia tivesse início já em janeiro de 2016. O objetivo era contratar eletricidade gerada por meio de termelétricas com o uso do gás natural. O pleito aceitava apenas empreendimentos a serem implementados no submercado do Sudeste/Centro-Oeste.

"O preço-limite da energia a ser contratada no leilão estava atrativo", afirma o analista da Safira Energia, Fábio Cuberos. "O problema foi o prazo estabelecido para início da geração. Construir uma usina em seis meses seria um milagre." 

O leilão havia sido anunciado pelo governo no começo do ano, quando o sistema nacional estava bem mais vulnerável, lembra Thais. Por isso, havia uma urgência muito maior de se conseguir um fornecimento rápido para os horários de pico. Agora, com a queda da demanda, a preocupação com riscos de racionamento foram amenizados, mas é importante que o MME não deixe de apostar em concessões regionais, que diluem a pressão sobre o fornecimento, diz Thais.

Para Cuberos, a energia contratada por meio do leilão poderia dar um alívio regional, mas devido ao cenário de demanda menor ela não seria crucial para a saúde do sistema. O efeito mais imediato, segundo o analista, seria sobre a confiança dos empresários do setor, que já não estão animados com as perspectivas do mercado elétrico no País.

Para atrair investidores, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tentou estabelecer um valor máximo alto para a energia comercializada nas usinas do primeiro leilão. O teto ficou em R$ 581/MWh, acima dos R$ 388/MWh do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que regula o mercado de curto prazo. Assim, seria mais interessante para as geradoras vender no pleito do que negociar diretamente com distribuidoras. 

Com o objetivo de facilitar a contratação, o MME fez também estudos para determinar quais pontos de entrega de gás natural teriam capacidade suficiente para atender às termelétricas que vencessem e quais fornecedores de equipamentos teriam o maquinário necessário disponível em estoque. Mesmo esse esforço, no entanto, não foi suficiente para que o prazo de implantação fosse considerado viável.

(DCI-SP, 06/07/2015)

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